CONVERSAS SAGAZES COM Raquel Santos

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CONVERSAS SAGAZES COM Raquel Santos

O meu objetivo é mostrar e expor o que pode acontecer se tomarmos determinadas ações e o que pode acontecer se não o fizermos. A Lara pode sempre contar comigo.

SAGAZ

O que mais gosta de fazer nos tempos livres?

Passar tempo com os meus cães.

 

De que é que tem medo?

Cobras. Falando de coisas práticas, curiosamente a única coisa que tenho medo é mesmo de cobras. Claro que genericamente há muitas coisas que tenho medo.

 

O que a emociona?

Pessoas e animais. Sou muito ligada aos animais.

 

O que a deixa feliz?

O sol, o mar, a praia, a pele quente, dias tranquilos, ver a família bem e feliz.

 

Como se caracteriza enquanto pessoa e enquanto profissional?

Sinto que sou ansiosa e preocupada com os outros e com o que está a acontecer. No que respeita à minha vida sou muito descontraída, não tenho medo de nada, não receio a mudança, sou ambiciosa no que respeita a objetivos de trabalho.

Isto para dizer que sou uma pessoa muito preocupada com os outros e muito descontraída comigo.  

Enquanto profissional sou muito stressada, muito preocupada, sofro imenso, sou meticulosa, tento sempre apanhar as coisas antes que elas aconteçam e isso faz-me sofrer um pouco por antecipação, embora até agora tenho corrido sempre bem e os objetivos estejam a ser alcançados.

 

Como teve conhecimento do projeto SAGAZ?

Fui convidada por uma amiga que já era mestre do SAGAZ e voltou a participar na edição de 2016.

 

O que a levou a aceitar ser Mestre SAGAZ?

Já há algum tempo que andava a sentir que gostava de fazer algum trabalho de voluntariado. Não me identificava com algumas causas, as mais comuns. Andava a ver se me cruzava com algum projeto aliciante. Quando a Carla me falou desta situação e explicou o conceito, embora não conseguisse perceber de imediato o que era, achei interessante, já ia mais na onda do que eu procurava. Ajudar o próximo não passa apenas por providenciar comida e dormida.

Decidi participar e tentei contribuir de forma positiva. Gostei imenso da abordagem, da forma como os miúdos se entregaram no evento.

Se eu não tivesse vontade ia ficar com ela depois de ter participado, porque o conceito é muito interessante. O sofrimento humano manifesta-se através de diferentes vertentes, pode ser por carências primárias, mas também pode ser por dores internas que ninguém entende e ao olhar para estes miúdos que têm uma vida toda pela frente, sabendo que naquele momento podemos dar algumas palavras ou a nossa experiência para prevenir situações de vida difíceis é para nós uma realização, ajudamos a ultrapassar alguns problemas de forma mais fácil.

 

Como se define enquanto Mestre?

Não me vejo como mestre, vejo-me como amiga. Sendo muito sincera, por vezes creio que a Lara (aprendiz) é que é a minha mestre.

O papel de mestre e aprendiz fundiu-se, a Lara é uma miúda com uma maturidade acima da média, é muito raro encontrar uma miúda da idade dela já com a cabecinha tão bem orientada, distingue muito bem o que quer do que não quer.

O mais difícil na vida é saber o que não queremos e a Lara sabe muito bem o que não quer, tem isso muito presente, tem os princípios de vida muito bem fundamentados, o que é raro na idade dela. Portanto, as nossas conversas, a partir de determinada altura, passaram a ser conversas entre duas amigas, momentos de partilha, troca de experiências do quotidiano e de receios, necessidades de tomada de decisão. Não falamos com tanta frequência como eu gostaria mas não é possível de outra maneira.

É uma relação que flui nos dois sentidos, eu também falo muito com a Lara sobre o que estou a passar no momento, há em mim uma vontade de partilhar com ela as minhas vivências para que possa aprender com os meus erros, ou seja, se correr bem a mensagem fica, se correr mal também fica com a informação, mas não deixa de ser uma conversa entre amigas.

 

No dia do evento, a decisão de qual jovem acompanhar foi-lhe difícil?

Não. Quando a Lara se sentou connosco senti que seria com ela que queria ficar.

 

A decisão foi tomada tendo por base que princípios?

Princípios há sempre, mas acima de tudo foi uma decisão tomada com base na empatia e identificação. Muitas vezes quando eu e a Lara conversamos eu digo-lhe “sei exatamente o que estás a sentir porque eu era exatamente igual”.

Na conversa inicial que tivemos eu percebi ou suspeitei que a Lara estava a ter um caminho emocional muito próximo daquele que eu tinha percorrido e foi isso que me levou quase de imediato a querer ficar com ela.

A idade dos jovens candidatos a aprendizes corresponde a uma fase que é extremamente importante e por ser tão importante provoca-lhes muito peso na decisão de escolher um caminho (no que respeita à universidade) que vai decidir toda a vida, mas ao mesmo tempo há a alegria normal de passar por essa fase, há neles e em particular na Lara um misto de emoções. Foi nestas características que comecei logo a identificar-me com ela.

A verdade é que ao longo destes últimos meses que temos conversado eu vejo nela uma mini Raquel. Ela é mesmo muito parecida com aquilo que eu fui. Fico muito feliz por, ainda que numa escala pequenina, poder contribuir com uma palavra que acalme a Lara.

 

Enquanto pessoa, de que forma é que este projeto e a jovem que acompanha tem enriquecido o seu perfil?

A minha área é tao diferente da que a Lara está a estudar. Ela está no Direito e ou nas Ciências, não nos cruzamos.

No sentido pessoal é extremamente enriquecedor porque a Lara trouxe à minha vida um tipo de alegria que não existia. Há uma realização em poder ajuda-la e em ouvirmo-nos mutuamente. Às vezes eu própria estou com questões na minha vida e é muito interessante ter a opinião da Lara e por incrível que pareça ela tem peso nas minhas decisões.

 

Baseia a sua relação Mestre-Aprendiz em que fatores? Acompanhamento formal ou informal?

É uma relação de amizade. A Lara sempre foi extremamente educada e começou por me tratar pelo título, mas desde o início pedi-lhe para não o fazer. Claro que nos primeiros tempos ainda nos estávamos a conhecer e, por uma questão de educação, mantínhamos alguma formalidade até nos sentirmos mais à vontade para não o fazer e isso aconteceu, mas foi um processo natural. Com o tempo as coisas fundiram-se e a nossa relação evoluiu.

O click inicial foi promovido pela Lara, mas isso faz parte do caráter dela. Ela é super empreendedora, tem uma vontade e põe na prática, implementa, isso é fantástico, ela faz acontecer. E comigo a Lara fez acontecer, desde o primeiro momento encarou esta nossa relação de forma séria e respeitosa e os primeiros passos foram dados por ela, no sentido de me convidar para alguns momentos, de expor o que estava a passar, ir enviando algumas fotografias de situações que estava a viver. A partir daí começou a ser uma relação bidirecional.

Eu sinto-me muito a par da vida dela.

 

Sente que o seu acompanhamento tem sido importante nas decisões e esclarecimento de dúvidas que a Aprendiz vai tendo ao longo do percurso académico?

Tem havido acompanhamento, a Lara tem passado por alguns desafios que partilha comigo e eu tenho dado a minha opinião acerca do assunto, mas as decisões partem da sua própria vontade. Mas acredito que contribuo para as decisões dela, pelo menos tento sempre dar o meu melhor, quer seja consequência da minha própria experiência pessoal ou da experiência de pessoas próximas de mim. Creio que a Lara tem sempre isso em conta e fico muito feliz ao contribuir para que ela fique bem.

 

São de áreas muito distintas, como é partilhar os conhecimentos e experiências com uma jovem?

As áreas não interferem com a nossa relação. Eles são pré adultos, o que importa aqui (para os mestres) é preparar a parte humana, preparar os miúdos para uma vida profissional ativa.

As nossas conversas são muito ligadas às decisões de vida e para a vida, não são perguntas técnicas. Enquanto mestre somos a base, o que prepara e dá ferramentas para poder tomar as melhores decisões.

 

Com que regularidade costumam falar?

Depende, há alturas em que podemos falar mais que uma vez por mês, outras falamos menos. Conversamos por telefone mas também comunicamos muito por Messenger e ai o contacto é bem mais regular.

 

Nas monitorizações a sua Aprendiz demonstra ser uma jovem ativa e dedicada, como a define?

É muito isso, a Lara é uma pessoa com uma capacidade de diagnóstico rara, é muito assertiva, muito sensível. Consegue fazer o diagnóstico das pessoas que estão com ela muito rapidamente.

Tem um lado intuitivo muito forte, é muito dedicada a causas humanitárias e isso é fantástico, além disso é de uma disciplina e rigor invejáveis.

 

Na opinião da Raquel o SAGAZ deve continuar?

Sim, até porque eu sinto que ganhei imenso com o projeto.

 

Que balanço faz da sua participação até à data?

O balanço obviamente é positivo. Pessoalmente estou muito satisfeita, fiquei enriquecida com a relação com a Lara, o meu mote diário para levantar, trabalhar, acordar, mudou ligeiramente. A Lara veio acrescentar algum valor nas minhas ações diárias, portanto fico muito feliz por poder contribuir para que ela seja uma pessoa mais feliz também.

É muito gratificante ver a Lara feliz.

 

Como vê o SAGAZ no futuro?

No que a nós (mestre e aprendiz) diz respeito não haverá problemas porque há uma amizade que muito dificilmente se diluirá no tempo. Não sei dizer se é por ter sido a primeira, a verdade é que estabelecemos uma amizade que ultrapassa a barreira mestre-aprendiz.

Pondero voltar a ser mestre, no imediato não porque tenho uma relação muito estreita com ela e não me parece que fosse desempenhar tão bom papel com outro aprendiz, pelo menos para já. É uma relação que exige tempo e dedicação, neste caso a nossa relação está feita, mas sim no futuro gostaria de voltar a ser.

Neste momento digo que tive imensa sorte por me ter cruzado com uma pessoa tão similar a mim e quando a oiço tenho a necessidade de dizer algo para ela não cometer os mesmos disparates que eu cometi, porque estou a ver exatamente o mesmo percurso que eu fiz. Isso é mesmo muito gratificamente, parece que estou a remediar os meus próprios erros.

 

Como vê o facto de alguns municípios continuarem a apostar no SAGAZ e a dar esta possibilidade aos seus Jovens?

Na minha visão para termos uma população ativa bem-sucedida e feliz precisamos de ter profissionais competentes e para termos profissionais competentes temos que ter jovens que tenham sido bem encaminhados, que sejam psicologicamente fortes, resistentes às adversidades da vida e que não se deixem anular pelas complicações que vão aparecendo.

Se houver neste processo uma ajuda complementar à dos pais é extremamente positivo, por isso é que este é um projeto muito interessante, os resultados não são imediatos, não percebemos na prática o que é que o mestre anda aqui a fazer, mas creio que o somatório de várias pessoas a contribuírem com a sua experiência, a fortalecer os jovens e a ajudar a tomar decisões para a vida é de elevada importância. O que não falta são pessoas a trabalhar infelizes porque não souberam e não tiveram informação suficiente para tomar decisões exatamente na fase em que estes miúdos estão agora. Por isso, na minha opinião é importante e toda a gente devia apostar num modelo como este, agarrar nos jovens com imenso potencial e garantir que, pelo menos, têm acesso à informação para tomar decisões para as suas vidas.

O meu objetivo é mostrar e expor o que pode acontecer se tomarmos determinadas ações e o que pode acontecer se não o fizermos. A Lara pode sempre contar comigo.

 

Quer deixar uma mensagem final a quem nos der a honra de ler esta conversa?

O principal conselho é sabermos ouvir, sem ter o impulso de interferir e dizer para não fazer algo. Temos de nos saber colocar na pele do aprendiz, porque uma cabeça de quarenta anos pensa muito diferente de uma cabeça de dezoito. Não nos cabe a nós mestres contestar ou moldar o jovem, temos de vestir a pele e fazer o somatório das emoções e dúvidas que têm, ir buscar as nossas próprias experiências e aconselhar, mas nunca impor qualquer tipo de caminho.

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