CONVERSAS SAGAZES COM CARLA DUARTE

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CONVERSAS SAGAZES COM CARLA DUARTE

É um ato de inovação, ajuda os jovens a ter contacto com a prática antes de enveredar no mercado de trabalho.

O que gosta mais de fazer (nos tempos livres)? 

Hum … muita coisa. Equitação, yoga, leitura, cinema, praia. Ando sempre entre diferentes atividades.

De que é que tem medo?

De cobras e do escuro.

O que a emociona?

Tanta coisa. As vitórias pessoais e profissionais. Os encontros de família também são das coisas mais importantes.

O que a deixa feliz?

O que me deixa feliz?! O sol, os tempos de lazer, a família.

Como se caracteriza enquanto pessoa e enquanto profissional?

Ora bem, pensando em termos pessoais e profissionais, sou dedicada e boa amiga, mesmo sendo suspeita ao dizê-lo, acredito que são características minhas.

Como teve conhecimento do projeto SAGAZ?

Por convite do Artur [foi quem criou o SAGAZ]. Na altura ele explicou-me o projeto e eu participei na primeira edição, em 2013, como madrinha de carreira. Nesse dia tive conhecimento mais aprofundado sobre o papel dos mestres e o Artur disse-me que na segunda edição faria todo o sentido eu ser mestre.

O que a levou a aceitar ser Mestre SAGAZ?

Foi principalmente pelo desafio, pela novidade que era para mim enquanto pessoa poder acompanhar um elemento que estivesse numa fase inicial da vida académica, contribuindo com a minha experiência profissional.

O Sagaz teve a primeira edição em 2013, foi mestre pela primeira vez em 2014. Da primeira edição até esta última (2016), olhando para si enquanto mestre, alguma coisa mudou?

Não. Tentei sempre ter o mesmo desempenho nas diferentes edições em que participei. Houve um ano que fui mestre em dois locais, Celorico de Basto e Lousada, e dei sempre o meu melhor.

No dia do evento, a decisão sobre qual jovem acompanhar é-lhe difícil?

É muito complicado decidir. Principalmente porque os miúdos ficam extremamente nervosos e acham que aquilo é uma decisão quase de vida. É das primeiras provas que eles têm nas suas vidas.

E depois custa-nos imenso (aos mestres) optar por apenas um, porque sinto que os outros ficam desiludidos com eles próprios e isso é o lado menos bom para nós. Eu sinto-me um bocadinho mal ao sair da sala e ver os outros que não foram escolhidos, é-me um bocadinho constrangedor.

A decisão é feita tendo por base que princípios?

No meu caso tento acompanhar um jovem que pretenda a minha área de formação e profissão, porque dessa forma vejo o meu papel como uma mais-valia. E depois tento também ajudar aqueles jovens que têm uma personalidade parecida com a minha, para ser mais fácil de lidar no dia-a-dia.

A agenda ocupada não influencia a minha decisão de ser mestre. Desde que os jovens estejam disponíveis para trabalhar comigo depois do horário de trabalho, não há problema nenhum, tento sempre ajustar. Normalmente até me encontro com eles ao fim de semana, porque estando eles a estudar fora, durante a semana também não podem estar comigo. Se eu tivesse um jovem que me dissesse que só podia estra comigo durante o horário de trabalho seria mais complicado, mas por norma encontramo-nos ao sábado ou ao domingo.

O facto de eu tirar um pouco do meu tempo de lazer para lhes dedicar também é importante para que sintam que há interesse da parte do profissional. No fundo eles sentem-se motivados e entendem que há alguém a apostar neles. Isto é muito importante na fase da vida em que eles se encontram. Nos meus aprendizes noto muito esse efeito, principalmente com o Diogo.

Enquanto pessoa e profissional, de que forma é que este projeto e os jovens que tem vindo a acompanhar enriquecem o seu perfil?

Como experiência de vida temos sempre muito a aprender. Por incrível que pareça, até estou sempre a dizer isto aos meus aprendizes e eles riem-se, nós enquanto profissionais também aprendemos muito com eles. Têm outra visão da profissão e do mundo que nós não conseguimos ter e às vezes ignoramos o óbvio, coisas básicas que nos passam ao lado e que eles percebem e referem. Uma vez o Diogo comentou e bem que na minha situação não me compensa trabalhar tantas horas para o salário que tenho e é um bocado verdade.

Este tipo de pormenores vamos tendo noção através do contacto com eles, que têm a capacidade de nos deixar a pensar.

Baseia a relação Mestre-Aprendiz em que fatores? Acompanhamento mais formal ou informal?

Geramos logo uma relação de amizade, desde que começamos a acompanhamento. Com os meus jovens esquecemos o tratamento na terceira pessoa, não me chamam mestre nem Dra. É uma relação de amizade em que os vou ajudando, tal como o projeto pretende, mas sem tratamento empresarial. Almoçamos juntos, lanchamos, promovemos situações descontraídas e de amizade.

Depois também tenho a preocupação de os colocar em contacto uns com os outros. Até para rentabilizar a minha agenda, tento sempre organizar os encontros em simultâneo. Nem sempre é fácil aparecerem todos, mas tento juntar toda a gente para almoçar ou para lanchar. Assim consigo estar com todos, eles também falam entre eles, tiram dúvidas, trocam opiniões sobre as universidades, trocam apontamentos. Estou presente nesses momentos e vou auxiliando os quatro.

Sente que o seu acompanhamento tem sido importante nas decisões e esclarecimento de dúvidas que os aprendizes vão tendo ao longo do percurso académico?

Sim, principalmente com a Ana e com o Diogo que me consultam mais. Por vezes até a propósito de coisas que eu tenho receio de dar a minha opinião, por saber que a vão seguir à risca. Por exemplo situações de aceitarem estágios curriculares, se eu disser aceita eles aceitam. Tento sempre dar uma opinião, mostrando-lhes que não é vinculativa de nada, mas sinto que eles atribuem importância ao que lhes digo.

Nós entramos na vida dos jovens numa fase de mudança, quando terminam o secundário e vão para o ensino superior. Mas este programa também é muito importante para os finalistas da universidade, devia haver um SAGAZ para eles. O conceito do programa faz todo o sentido para os jovens que estão prestes a ter contacto com o mundo profissional.

O meu intuito é continuar com a relação com os aprendizes quando eles terminarem a universidade e entrarem no mundo do trabalho. Temos uma relação de amizade e é para continuar, não vamos cortar laços só porque terminam os estudos.

Por exemplo, também me procuraram muito para tratar da papelada aquando da entrada no ensino superior. Agora pedem apoio na elaboração de currículos, cartas de apresentação, querem saber como se devem pedir estágios nas instituições.

Por norma contactam-se sempre para tudo o que tenha a ver com estudos e vertente organizacional.

Com que regularidade costumam falar?

Com o Diogo falo praticamente todos os meses, sempre que ele vem a Lousada liga-me para tomar café. Com a Ana pelo menos uma vez por trimestre também e normalmente juntamo-nos nessa altura. Com a Andreia e com a Lúcia é mais contacto pelo Facebook e mensagens, os encontros não são tão frequentes, elas estão mais distantes em termos geográficos e nem sempre é fácil.

Tendo vários aprendizes, sente que o acompanhamento dado varia consoante o perfil deles?

Sim, depende sempre da personalidade deles. No caso do Diogo, sendo meu vizinho, encontramo-nos mais vezes, ele gosta muito de ler e vem a minha casa buscar livros. É um gosto que temos em comum.

Com as meninas a distância não é um obstáculo, só não estamos juntas tantas vezes, mas falamos muito, de temas que se falam entre amigas, como moda, penteados, esses assuntos normais.

Claro que no início eles tinham receio de estar a incomodar, ligavam e se eu rejeitasse achavam que não queria saber deles. Tive de lhes explicar que a vida não é fácil e nem sempre tenho a mesma disponibilidade. Isto só aconteceu nos primeiros dois meses, agora até nos rimos com isso.

Nas monitorizações soubemos que recentemente deu um apoio mais específico a um dos jovens. Costuma ajuda-los não só através de conselhos, mas no apoio à construção/elaboração de materiais que eles precisam?

Sim, sempre que me pedem. A última coisa em que ajudei foi na elaboração de um currículo. Nesse aspeto o papel de um mestre é muito importante. Eles não têm noção do que devem escrever numa Carta de Apresentação, no currículo pensam que é preciso mencionar todas as disciplinas. Estão numa realidade muito académica e pouco ajustada à vertente profissional, sendo o nosso apoio fulcral nesse campo.

Da parte deles também há feedback, dão valor ao que fizemos e enviam mensagens a agradecer. Isso é gratificante.

Neste projeto o nosso papel também é dar-lhes autoconfiança para que confiem mais no que fazem e sabem. Nesta nossa relação trabalhamos muito a comunicação e a assertividade. Noto diferença neles desde o dia do evento até agora. Ganharam confiança e motivação. Sinto que o meu apoio causa impacto neles, estão mais despachados, com menos fobia do mundo do trabalho e das entrevistas, que eram o bicho papão, achavam que se iam engasgar e estar nervosos. Estão mais desprendidos. Claro que aqui a universidade também os ajudou muito, o mérito não é só meu. Por exemplo, a Ana está no terceiro ano, já teve experiências de estágio e desenvolveu competências.

No primeiro semestre de universidade procuraram-me muito por causa das unidades curriculares, depois começaram a ser autónomos. Nos primeiros exames estavam ansiosos, tinham muita bibliografia para ler em pouco tempo. Neste caso dei a minha visão com base na experiência de aluna, falei do foco nos assuntos abordados nas aulas e depois o estudo mais aprofundado em casa, mostrei-lhes que não é como no liceu onde o trabalho está facilitado.

Depois de esclarecidas as dúvidas partilham comigo os sucessos, falam das notas. Quando estamos juntos falam muito das médias. Ainda estão muito presos à média final. Eu dou-lhes a minha visão, pois no meu entender a média não distingue se somos bons ou maus. Às vezes o número não dita nada. Uma pessoa pode ter valores mais baixos e ser melhor profissional. Neste tipo de situações temos de os fazer ver o que é importante na vida profissional.

A minha preocupação é explicar-lhes situações do meu quotidiano onde aplico determinada fórmula ou os conceitos que estão a aprender, para que haja equilíbrio entre vida académica e realidade organizacional. Os aprendizes têm curiosidade em saber como é o dia-a-dia de trabalho de um gestor, o que fazemos. Tento mostrar-lhes que um bom gestor tem de saber fazer tudo para poder delegar, até organizar dossiers e tirar fotocópias.

Hoje em dia olho para eles e noto-os mais preparados para a vida real, ao contrário do que eu estava na minha altura, não tive este tipo de acompanhamento e fui atirada às aranhas.

Na opinião da Carla o SAGAZ deve continuar?

Claro. Permite aos jovens ter contacto com a realidade de trabalho, que nem sempre é exposta na universidade, para não serem apenas académicos e conhecerem o mundo cá fora. Não podemos sair da universidade a pensar que somos reis e senhores do mundo. No nosso trabalho também vamos tirar muitas fotocópias e tratar da organização de muitos dossiers.

Que balanço faz da sua participação até à data?

Faço um balanço bastante positivo. Sou suspeita mas considero que estou a desenvolver um trabalho decente. Atrever-me-ia a dizer que tanto o meu desempenho como o dos meus aprendizes tem corrido muito bem.

Como vê o SAGAZ no futuro?

Alargado ao ensino superior, através da aplicação junto dos alunos finalistas.  

Vejo este programa com muito carinho, acompanhei-o desde o início e é uma atividade de voluntariado que não me custa nada fazer, quer pela amizade que tenho com a ALENTO enquanto empresa, quer pelo projeto em si, sinto-me parte integrante dele.

Como vê o facto de alguns municípios continuarem a apostar no SAGAZ e a dar esta possibilidade aos seus alunos?

É um ato de inovação, ajuda os jovens a ter contacto com a prática antes de enveredar no mercado de trabalho.

Todos os municípios que venham a apostar no SAGAZ estão a inovar, a possibilitar a ligação entre os alunos e o tecido empresarial, o que se torna importante para o crescimento do próprio concelho a longo prazo, contribuindo para um crescimento sustentável. No futuro vão ter jovens mais preparados que as gerações anteriores.

Quer deixar uma mensagem final a quem nos der a honra de ler esta conversa?

O SAGAZ é um projeto muito positivo para os jovens. Devem agarrar a oportunidade porque é benéfico para o futuro, não só na vida académica mas no início de uma profissão. Não desperdicem oportunidades!

Por exemplo, os aprendizes que acompanho nos primeiros exames tiveram positivas mas ficaram aquém do esperado. Enquanto mestre fiz o meu papel, dei dicas de estudo, aconselhei a praticar yoga para diminuir a ansiedade e os resultados melhoraram. Um deles até me disse “A Carla é um génio, as dicas funcionaram mesmo!”.

O meu apoio é-lhes importante e causa-lhes impacto. Uma das aprendizes não aceitou estágio por minha recomendação. Eu achei que não trazia mais-valias, coincidia com a época de exames e não ia aprender nada de novo, ia estar apenas a fotocopiar. Não era o momento ideal para ela. Nós temos a capacidade de analisar de fora e aconselhar. Os jovens também valorizam esta minha postura, nunca tive a necessidade de entrar em contacto com deles, são jovens cheios de iniciativa.

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